16 de fevereiro de 2009

Propinas sobem. Precários também.

Nas universidades e politécnicos, públicos e privados
Há mais alunos sem conseguirem pagar propinas
(Artigo do Público)
(16.02.2009 Bárbara Wong)

O número de alunos com dificuldades em pagar as propinas está a aumentar no ensino superior. Para já, ainda não há "situações dramáticas", mas no próximo ano as instituições, sobretudo as privadas, podem ressentir-se, diz João Redondo, presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP). Ao Estado é pedido que apoie os estudantes através do fundo de apoio social. De preferência ainda este ano, solicita Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, do Porto.

Também nas universidades e politécnicos públicos o problema se faz sentir e traduz-se em atrasos no pagamento das propinas, que rondam os 900 euros anuais, um valor mais acessível do que a média das privadas: entre dois e seis mil euros anuais. (…)


"É claro que as dificuldades económicas estão a atingir as famílias e sentimos dentro da instituição o peso das mesmas. Os alunos têm dificuldades em pagar dentro do prazo", informa Vítor Santos, presidente do Instituto Superior Politécnico do Porto, onde estudam 16 mil alunos. O presidente avança que este é um problema que se sente sobretudo nas instituições da Região Norte, mais afectada pelo desemprego.

Também na Universidade do Porto, que recebe 28.722 alunos, a maior do país, a previsão é que no final de Março, data para pagar a segunda tranche das propinas, se vai sentir um aumento do número de estudantes que não vão pagar. A Universidade de Coimbra, "para já", ainda não sentiu os efeitos da crise, revela Pedro Santos, assessor de imprensa da instituição. (…)


Vítor Santos, do politécnico do Porto, equipara as bolsas de estudo ao subsídio de desemprego. "O Estado não vai dizer que não vai atribuir o subsídio de desemprego. Portanto, também não pode dizer que não vai apoiar os estudantes carenciados", defende. A abertura de um período suplementar para candidaturas a bolsas de estudo é o que Salvato Trigo, da Fernando Pessoa, propõe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A tutela tem conhecimento da situação, acredita Vítor Santos. "Mas não tenho a certeza que esteja à procura de soluções para uma situação que se está a avolumar", observa.

3 comentários:

Zé Miranda disse...

É uma boa noticia que reflecte a condição precaria dos jovens. Pagar para estudar, trabalhar para pagar o estudo e mais o juro do estudo.

No entanto tenho a dizer algo sobre esta noticia: para mim é altamente duvidoso que o Estado deva investir dinheiro em cursos nas privadas quando os mesmos cursos são oferecidas nas universidades publicas, que por sua vez estão praticamente em ruptura financeira pelo progressivo desinvestimento estatal.

Eu, por exemplo, tendo sido aluno de uma privada num curso de "caneta e papel" que custava mais de 5mil euros ano, acho uma vergonha e um escandalo exigir-se apoio social para pagar esse tipo de propinas a alunos de privados.

O ensino privado segue a lógica de qualquer outro negócio, com gravissimas repercusões no conhecimento leccionado e nos curricula.

Não sei se estou a ser redutor, mas parece-me que a ideologia que suporta a precariedade é exactamente a mesma que depois exige menos Estado - a não ser que este sirva de suporte aos bancos e às propinas pornográficas que são colocadas no ensino privado.

Em vez de investir no ensino público de qualidade, gratuito e universal, o que o governo faz é lançar programas que incentivam o recurso ao crédito para pagar os cursos. É bem verdade que cada vez mais pessoas entram nas universidades mas a troco do quê? Com que consequências para a sua vida?

O Liberalismo vigente levado a cabo pelos sucessivos governos nada tem a ver com liberdade. Prisão é o seu "middle name"; flexibilidade, propinas, crédito, juro as algemas; juventude precária e vida precária os seus reinos.

ana disse...

o problema é que as propinas não servem para o que deviam daí não concordar com os sucessivos aumentos!

Depois para podermos ser "alguém" vivemos à rasca, terminamos o curso e ficamos à rasca, e arranjamos trabalho e continuamos à rasca...se tivermos filhos etc ficamos ainda mais à rasca...depois perguntam porque o país não anda para a frente!! A população jovem já tem a corda na garganta antes de ser alguém....bela sociedade

Pedro Teixeira disse...

Se não gostamos desta sociedade está nas nossas mãos pensá-la e construí-la para melhor. Temos democracia, liberdade de expressão e de associação, já houve quem lutasse por isso, lutemos nós agora para que os/as nossos/as filhos/as não vivam à rasca... Deixemos uma herança melhor.